17 de jul de 2008

palavra.

queria falar sobre essa noite bonita e quente, mas ñ conheço as palavras para dizer.
não conheço palavras o suficiente para o que sinto. logo, não sei o que sinto, posto que só se conhece o que já
tem palavra pra significar. signicado.
eu via os casais caminhando abraçados dentro da noite paulistana. não era uma noite calma, mas casais acham paz
pra se abraçar até em são paulo. eu via o sinal ficando vermelho, amarelo, verde e vermelho. eu via meu cigarro queimando no
cinzeiro a fumaça que voava e aí eu já não via mais.
eu via os copos passarem pela mesa vermelha do bar. diante da minha cadeira. e passavam as garrafas, uma após a outra. o
pensamento só se elevava aos poucos.
sozinha é mais fácil de pensar, de entender. no coletivo se tem um conto. sozinho se faz poesia. ou até de casal, mas nesse
caso também se é sozinho. sozinhos.
eu gosto de estar perto da onde se tem arte. eu via as pessoas saindo do cinema e me interessa muito os rostos após um filme.
têm pessoas que ficam por esquinas a finco divagando com os amigos sobre aquele filme. têm os pares que saem mais juntos
ou mais separados - as vezes a arte mostra o que não se quer ver, não é fácil se ver numa tela. tem gente que entra sozinho e sai acompanhado e tem gente que vai sozinho e volta sozinho. ri aberto ou amarelo sozinho.
não conheço palavras que me digam o que eu sinto assim, sozinha. a completude da solidão é o silencio demais - que nessa cidade
é sempre de menos - mas mesmo assim é silencio.
quem sabe se a palavra que eu procuro não é meu nome?
eu não busco por abstrações, busco por palavras. não me importo se não as posso tocar ou manipular. não ligo se para mim elas não
se dão. palavra não é abstração. palavra não é poder. palavra é o que não vem.
mas então, por que agora, diante de tanta vida exterior, diante da minha cerveja, do meu cigarro... por que agora a palavra não sai?
o papel permanece em branco, minhas artérias pulsando dilatadas mas não há barulho em mim!
a palavra me diz que ela é poesia por que é o silencio. o sozinho. os meus nomes que não digo a ninguém.

2 comentários:

Iuri disse...

Adorei,de verdade
tem muito haver comigo
eu quero devorar as palavras
mas quanto mais as quero pra mim,mais elas escapam :(

Maria Beatriz disse...

solidão, que poeira leeeve